Segundo uma pesquisa divulgada pelo “Valor Econômico” em outubro de 2019, apenas 13% das empresas brasileiras têm CEO mulheres, 26% das posições de diretoria são ocupadas por mulheres, 23% de vice-presidentes e 16% dos cargos de conselhos. Apesar disso, é fácil verificar que as mulheres são praticamente metade da força de trabalho brasileira. Eu poderia continuar a informar números e mais números, das mais diferentes pesquisas a respeito do assunto para não restar dúvida sobre a diferença entre os gêneros quando o assunto é a força feminina nos altos escalões do ambiente de negócios no Brasil.

Mas ao invés de usar os números, vou usar minhas próprias impressões para convidar você a refletir sobre esse cenário.

Eu trabalhei por mais de 25 anos em grandes corporações, tanto nacionais quanto multinacionais e por muito tempo atuando em uma área tradicionalmente masculina – a de tecnologia da informação. No entanto, tirando um ou outro comentário sexista, uma piada de mal gosto aqui e ali, confesso que não prestei muita atenção nas diferenças de oportunidades entre homens e mulheres. Porém, analisando com uma certa distância agora, vejo que não prestei atenção nas diferenças porque para mim e para tantas outras funcionárias, o normal sempre foi ter os cargos de liderança sendo ocupados majoritariamente por homens e uma pequena minoria sendo exercida por mulheres. Esse era o normal para mim.

No entanto, os tempos vem mudando e o meu olhar sobre o assunto também. E paralelamente a tudo isso, no ano passado minha vida profissional passou por uma grande mudança, saí da última grande organização da qual fiz parte e decidi que iria atuar como consultora independente. Ainda estou no início dessa caminhada, mas o que já me salta os olhos é a quantidade imensa de mulheres empreendedoras. E meio sem querer (será?) fui me cercando de outras mulheres para parcerias comerciais, contratação de serviços e suporte no geral. Assim, hoje tenho o apoio de uma rede profissional que conta com uma contadora, uma gerente de contas, uma assessora de investimento, uma advogada, profissionais inspiradoras tanto em  Compliance quanto em Segurança da Informação e assim vai….

E falando em Segurança da Informação, lembro quando em 2004 consegui migrar para essa área dentro da empresa aonde atuava como Analista de Sistemas, e me apaixonei de imediato pelo assunto. E por alguns anos vivi diariamente o fato de ser minoria naquele meio, pois ao visitar DataCenters, questionar controles de infraestrutura ou solicitar relatórios de auditoria, mais de 90% das vezes eu lidava com homens, pois havia pouquíssimas mulheres atuando nesse seguimento.

E por isso hoje, ao participar dos eventos do WOMCY é com uma alegria imensa que vejo mulheres experientes e mulheres mais novas (algumas bem mais novas do que eu) falando sobre segurança cibernética, proteção de dados, hackers, cloud, criptografia etc etc etc de uma maneira natural e com bastante propriedade. A maioria dessas mulheres é empreendedora, está fora dos grandes ambientes corporativos. Claro que existem diversos motivos que fazem as pessoas empreenderem, e as mulheres tem os seus próprios motivos, que majoritariamente resvalam na dedicação à família, à casa e a outras questões práticas.

Mas às vezes eu imagino que secretamente essas e tantas outras mulheres, dos mais diferentes mercados, ao perceberem quantas barreiras teriam que quebrar para chegar ao topo das grandes empresas, resolveram dizer que não, obrigada, mas vou ser CEO da minha própria empresa; vou vender meu conhecimento e dedicação para quem quiser pagar por qualidade de serviço, independente do gênero de quem fornece esse serviço. Pode parecer piegas, pode parecer uma visão romântica, mas ver o poder do feminino no mercado de trabalho, principalmente na área de Segurança da Informação chega a me emocionar e me faz acreditar que dias melhores virão.