Da minha parte, tenho uma resposta padrão à primeira pergunta: “obrigada, mas não quero preencher o cadastro”. E essa minha resposta gera as mais diferentes reações, que vão desde uma simples expressão meio frustrada até o oferecimento de descontos, promoções, etc. para tentar me demover da negativa. Um caso específico me marcou bastante. Era uma semana anterior ao Natal e eu fui a uma loja de uma grande marca de roupas para fazer uma simples troca. Ao ouvir o meu “não” em fazer parte do cadastro, a atendente apelou para o argumento de que era um requisito legal. Claro que ela ficou sem resposta quando eu pedi educadamente para que ela então me mostrasse a lei que me obrigava a fornecer meus dados para efetuar a transação. E na falta de outra opção, chamou a gerente de plantão. Esta, por sua vez, citou o Código de Defesa do Consumidor que, quando consultado por ela mesma, tampouco trouxe algum respaldo para a sua solicitação. Enquanto a fila atrás de mim só crescia e a situação ia ficando cada vez mais incômoda, a gerente finalmente se conformou de que não havia nada que me obrigasse a fazer o tal cadastro. Minha troca foi efetuada, agradeci e saí. Naquele dia eu tinha tempo, paciência e conhecimento, mas não deixa de ser errado que o consumidor que não tenha ao seu alcance esses três atributos seja impedido de ter acesso a um direito básico, que é o controle sobre seus próprios dados. Sei que uma consciência ampla e irrestrita, de todas as classes sociais e econômicas, ainda está um pouco distante da realidade. No entanto, acredito piamente que devemos exercitar a conscientização nas ações do dia-a-dia, começando pelo nosso círculo mais próximo. Minha filha de doze anos, de tanto ouvir minhas negativas aos famigerados cadastros, já pensa duas vezes antes de liberar informações para pessoas estranhas e é extremamente criteriosa na confirmação de amizades ou similares na sua rede social. No caso da loja que citei acima, tenho certeza que a atendente e a gerente foram dormir com uma pulga atrás da orelha naquele dia. E quem sabe até foram se informar sobre os reais direitos e deveres do consumidor com relação aos seus próprios dados. Assim, paralelamente aos grandes projetos de adequação à LGPD, o trabalho diário, de formiguinha, deve se fazer sempre presente, para que possamos elevar o nível de conscientização da população em geral quando o assunto é proteção de dados.